
Conhecido pela retórica contra os excessos do
capitalismo, o PSOL recorreu a um empresário como candidato ao governo
do Rio Grande do Norte.
A chapa será encabeçada por Carlos Alberto Medeiros,
sócio de sete restaurantes fast-food, que promete acabar com os
privilégios das grandes empresas se eleito.
Crítico da concentração de renda, ele defende um
crescimento da base para cima, mas reconhece que o capital tem papel
importante na economia.
Entre suas propostas estão o desenvolvimento das
pequenas indústrias e propriedades, o apoio às cooperativas no campo e o
fortalecimento dos agricultores familiares.
“Nossos inimigos são as grandes empresas que exploram
o Brasil, que querem abocanhar o pré-sal, e privatizar o setor
elétrico”, afirma. “O Estado não vai ser proprietário do pequeno
comércio”.
Medeiros defende o fortalecimento de Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Medeiros entrou no ramo da alimentação na década de
1990. Hoje os estabelecimentos são gerenciados por seu filho. Em 2010,
tornou-se membro do PT e, apesar de ter migado para o PSOL, reconhece
como positivo o legado do partido no Nordeste e se diz admirador do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
Um eventual governo do PSOL, no entanto, seria mais à esquerda em relação às eras Lula e Dilma, diz ele.
Os erros dos petistas, segundo Medeiros, foram políticos. “Como é que você imagina que alianças com o Sarney e o Renan Calheiros iam dar certo?”, critica.
Para ele, partidos de esquerda devem ser
“empoderados”. O pré-candidato defende aliança com o PSTU, da esquerda
radical. Mas ele se define como alguém “aberto ao diálogo” e diz que não
teria dificuldade para formar a maioria na Assembleia Legislativa.
“Quem será contra erradicar o analfabetismo? Quem não
irá votar um orçamento para que a habitação seja uma prioridade? Muitos
serão simpáticos a isso apesar de estarem em partidos diferentes”.
Dentro do PSOL, Medeiros afirma que não enfrenta mais
resistências. Diz que o fato de ser empresário foi questionado quando
seu nome começou a ser discutido internamente. Segundo ele, isso está
“superado”.
Em relação ao Rio Grande do Norte, Medeiros não
economiza críticas em diferentes setores. Ele cita altos índices de
violência e desemprego, o baixo crescimento econômico e classifica a
educação como precária. Além de empresário, Medeiros é professor
universitário há 22 anos.
Fato determinante para esse cenário, segundo Medeiros, são as oligarquias que há anos ocupam cargos no estado.
Segundo ele, atualmente 84 indústrias têm renúncia
fiscal de aproximadamente R$ 300 milhões ao ano. O valor poderia apoiar
as 10 mil indústrias do estado “que nunca receberam qualquer incentivo”,
afirma.
Quanto aos restaurantes populares implantados pelo atual governador do estado, Robinson Faria (PSD), Medeiros os classifica como uma “medida populista”.
“Distribuir comida de graça não é solução para economia do Rio Grande do Norte, nem para o povo”, afirma.
A mudança idealizada por Medeiros começa pelos seus restaurantes.
Ele diz que reduziu a jornada diária de seus
funcionários para seis horas porque eles trabalhavam muito. A média
salarial, segundo ele, é a maior da praça.
Além disso, ele diz que alguns funcionários que
cresceram junto com os estabelecimentos receberam participação de lucro
na empresa.
Nas eleições de 2016, o PSOL conseguiu eleger duas prefeituras no RN, nas cidades de Jaçanã e Janduís.
Medeiros atribui tal feito à proposta do partido de combater as oligarquias no estado.
“É essa a nova esquerda que as pessoas esperam. Não a
esquerda que vai se abraçar com a direita, com os partidos tradicionais
e que pratica a velha política”, afirma.
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