A cada eleição a juventude demonstra mais
desinteresse pela política no Rio Grande do Norte. O primeiro sinal é a
diminuição do número de eleitores com idade entre 16 e 17 anos, que
deixam de fazer inscrição eleitoral. Para as eleições deste ano, são
37.481 jovens aptos aptos ao voto, o correspondente a 0,58% dos 2,37
milhões de eleitores potiguares.
Em 1992, primeiro ano com dados
disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o número
de eleitores dentro daquela faixa etária (o voto facultativo para
eleitores com mais de 16 anos e menos de 18 foi instituído na
Constituição Federal de 1988), havia 73.337 adolescentes eleitores no
Estado, o equivalente a 5,01% do eleitorado norte-riograndense, que à
época era de 1.465.174 pessoas.

Em 2000, o número de eleitores de 16-17 anos subiu para 77.767
adolescentes ou 4,32% dos mais de 1,8 milhão de eleitores. Nas últimas
eleições esse número caiu quase pela metade, chegou a 37.477 eleitores
ou a apenas 0,56% do total de eleitores do RN, que era de 2,327 milhões.
Ano de eleição municipal, esse fato deve ter
contribuído para o maior interesse dos jovens na política, porque o
número de eleitores dessa faixa etária voltou a crescer, indo a 55.092
eleitores ou 0,67% de um contingente eleitoral de 2,4 milhões de pessoas
no Rio Grande do Norte.
Mas, este ano, segundo dados de julho do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de eleitores entre 16-17
anos voltou a cair, passando a 37.481 eleitores (0,58%) no universo de
2.373 milhões de eleitores.
Professor titular do curso de Ciências Sociais
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o cientista
político Homero de Oliveira Costa disse que hoje “há uma enorme
despolitização e descrença nas instituições entre os jovens por
consequências variáveis”.
Para ele, “o dado relevante é que os jovens
não são estimulados à participação política”, mas ele também afirma que
“tem uma crise mais geral do sistema partidário e eleitoral, que não é
específico do Brasil, porque também não há alto índice de participação
de jovens na política também em países com democracias representativas
com o voto obrigatório, pois em geral o percentual de votantes são
pessoas demais idade”.
Homero Costa cita, inclusive, o livro do
sociólogo espanhol Manuel Castells, que acabou de ler, sobre “Ruptura – a
crise da democracia liberal”, que trata da diminuição da participação
eleitoral e dos índices de confiança e da crença nas instituições do
jovens na Europa.
Costa também chama a atenção para o fato de
que no Rio Grande do Norte o descrédito da classe política, ficou
patente nas nas eleições de 2014, quando a quantidade de votos nulos e
abstenção dos eleitores somados foi maior do que os votos dados ao então
candidato e atual governador do Estado, Robinson Faria (PSD), que
obteve 877.268 votos no segundo turno contra 1.125.517 somados da
abstenção e votos brancos e nulos.
Segundo Costa, nas eleições municipais de
2016, em 22 das 27 capitais o número de eleitores que deixaram de
comparecer às urnas ou votaram em branco ou invalidaram o voto, foi
maior do que quem ficou em primeiro e segundo lugar na eleição para
prefeito. “Em 11 capitais o somatório da abstenção, votos brancos e
anulados foi mais do que a votação de quem ficou em primeiro lugar,
inclusive São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte”,
reforçou o sociólogo.
Para Costa, “nada indica que as eleições de
outubro vá modificar esses dados”, pois são índices que vêm desde as
eleições pós-ditadura. “O desdobramento da Operação Lava Jato tem
implicações nessa descrença, que atingiu a todos os partidos. E no
Brasil, apesar do voto obrigatório esses índices são muitos altos”,
comentou.
Na avaliação do professor Homero Costa, isso
expressa descrença, porque no país, “não tem um nível de educação
política na escola, não tem na família, os partidos não se preocupam em
relação a isso, os partidos só se ocupam de às vésperas das eleições
mobilizar seu eleitorado”.
No contexto geral, Costa considera que essa
descrença vem da própria forma como se veicula e também do exercício de
muitos parlamentares contribuem para isso, que não é especifico do
Brasil, há descrença generalizada nos partidos e nos parlamentos, que
não são representativos da população até mesmo na Europa, exemplificou
ele.
Manuel Castells diz, ressalta Costa, que a “a
ruptura mais importante na democracia é entre governantes e governados,
há abismo entre governantes e governados e isso vai se expressar na
participação eleitoral, as pessoas não se sentem estimuladas, mas no
Brasil como votar é obrigado, leva ainda a estimular uma participação
maior”.
Eleitores tiveram uma elevação de escolaridade
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
mostram que os índices de eleitores de baixa escolaridade no Rio Grande
do Norte tiveram uma queda, mesmo inexpressiva. Nas eleições de 2014,
quando havia 2,327 milhões de eleitores, o percentual de analfabetos e
eleitores que tinham o ensino fundamental incompleto caiu de 37,56% para
32,63% agora em 2018, quando o número de eleitores no Estado chegou a
2,373 milhões de pessoas aptas ao voto.
As estatísticas do TSE também apontam que
aumentou o percentual de eleitores que concluíram o ensino superior ou
têm curso superior incompleto. O índice que era de 10,29% do eleitorado
aumentou para 14,19%.
Ainda houve um crescimento do percentual de
eleitores que terminaram o ensino médio – que foi de 16,94% em 2014 para
24% do total de eleitores em 2018.
Entre os eleitores que “lê e escreve” houve uma queda de 16,94% para 13,28%, indicam as estatísticas do TSE.
Eleitores no RN
1992 1.465.174
2000 1.803.825
2014 2.327.451
2016 2.401.870
2018 2.373.620
2000 1.803.825
2014 2.327.451
2016 2.401.870
2018 2.373.620
Eleitores jovens (16 a 18 anos) e percentual
1992 – 73.337 (5,01%)
2000 – 77.767 (4,32%)
2014 – 37.477 (0,56%)
2016 – 55.092 (0,67%)
2018 – 37.481 (0,58%)
2000 – 77.767 (4,32%)
2014 – 37.477 (0,56%)
2016 – 55.092 (0,67%)
2018 – 37.481 (0,58%)
Fonte - TSE
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