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Cármem Lúcia alegou que reajuste a professores do Estado de São Paulo "significaria grave risco
de lesão à ordem e à economia públicas". Gestores podem usar isso contra educadores de todo o País
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Parece até notícia de site de humor — aliás — de terror, mas não é. A
ministra Carmem Lúcia, presidente do STF, decidiu suspender o aumento do
vencimento inicial da carreira dos professores da rede estadual de São
Paulo, através de uma ação apresentada pelo governo do Estado. Alegou,
para tanto, que o pequeno incremento (10,15%) nos salários dos
educadores "significaria grave risco de lesão à ordem e à economia
públicas". O despacho foi publicado na segunda-feira, 7. Informação está
em publicação de hoje (8) do Estadão.
Segundo o Estadão, a Justiça Estadual Paulista havia estendido aos
professores do Estado uma parcela complementar que elevou esse
vencimento [inicial], em abril do ano passado, até o piso salarial
nacional. À princípio, o complemento, determinado por um decreto
estadual, servia apenas aos funcionários com vencimento inferior ao
estabelecido pelo piso nacional.
Essa elevação do vencimento inicial se deu por conta de que a 7ª Vara da
Fazenda Pública de São Paulo atendeu a uma ação do Sindicato dos
Professores do Ensino Oficial de São Paulo. A entidade pediu um reajuste
de 10,15% no vencimento inicial da carreira do magistério estadual.
Diz o Estadão sobre isso: Cármen explica que, "sob o pretexto de
corrigir a irregularidade de pagamentos inferiores ao piso nacional,
ocorreu um reajuste geral de toda a carreira, 'que repercutiu em
expressivo incremento dos gastos públicos sem fundamento legal
específico'".
Assim, ainda de acordo com o Estadão, Carmem Lúcia alegou em sua decisão
negativa aos professores do Estado de São Paulo que "a manutenção da
decisão da Justiça paulista [que beneficiava os educadores] significaria
"grave risco de lesão à ordem e à economia públicas".
Isto mesmo: para a presidente do STF, os professores ganharem um pífio
aumento de 10,15% em seus vencimentos iniciais leva à falência o "pobre"
Estado de São Paulo.
Tal medida da ministra Carmem Lúcia, por tabela, pode atingir
professores de todo o Brasil. "Em casos similares nos demais estados e
municípios brasileiros, autoridades podem recorrer ao STF com base no
que decidiu agora a presidente do Supremo", alerta o jurista piauiense
Paulo Leitão.
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